O compadrio em alta no Piauí

Faz um tempinho. Mas a indignação contra desmandos deve ser perene. Por isso, republico.

 

Escárnio. Esse é o termo mais apropriado para definir a  eleição da primeira-dama do Estado ao cargo de conselheiro do TCE-PI. A vitória deu-se com o voto de 25 dos 30 deputados da “gloriosa” Assembleia Legislativa do Piauí.

A sociedade civil, os órgãos de classe, as instituições se acabrunharam diante dos fatos. O Partido dos Trabalhadores, aliado de primeira hora do atual governo, assinou em baixo, com exceção de um dos seus parlamentares, o deputado Cícero Magalhães.

Tempos bicudos, os nossos. Nenhuma grande agremiação partidária fez “barricada”, apontou, com veemência, a impostura. Esperei da imprensa aquelas manifestações eloquentes que marcam um tempo, um momento histórico, digno de ser esquecido.

O Presidente da OAB nacional – Ophir Cavalcante – manifestou-se com aquela fala acadêmica que não acrescenta nada. Disse ele: “Nomeação de Lilian Martins pode não ser moral, mas não é ilegal”.

Oh, presidente. As oligarquias nunca foram ilegais, pois, em regra, são eleitas por meio de leis adrede concebidas. O processo se dá dentro de um conjunto de leis forjadas dentro de um Estado Democrático. São legitimadas pelo voto.

Vou mais longe: há ditaduras constitucionais, ou seja, há regimes de exceção baseados em Constituições. O nazismo, só para ficarmos com um exemplo mais escancarado, fincou sua ideologia amparado numa Constituição.

O exemplo extremo é para escancarar e mostrar o espírito do tempo em que vivemos. A nomeação da primeira-dama, com o aval silencioso de, praticamente, todas as instituições piauienses é um desses eventos paradigmáticos que servem para esgarçar o discurso idiotizado vertido por essa classe política engomada que adora posar de progressista.

No seu primeiro voto, a Conselheira mostrou a que veio: votou pela suspensão do julgamento por mais 60 dias das contas da… Assembleia Legislativa. Os vinte e cinco deputados que votaram nela comemoraram a retribuição rápida pelo apoio.

É o compadrio político atuando na sua forma mais pura e escancarada. Assistimos a mais um capítulo da história de um Estado que nasceu para servir aos seus donos…de ontem e de hoje e, provavelmente, de amanhã – se houver um.

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