Resposta a um amigo

 
 
Opinar é se expor. É contrariar interesses. Já trinquei amizades longevas por conta de minhas opiniões. Já travei discussões com gente “grande”.
 
Uma vez, pelos jornais, discuti com o ex-conselheiro do TCE e atual prefeito de Corrente Jesualdo Cavalcanti. Era sobre a divisão do Estado. Eu, à época, posicionava-me contra ( ainda me posiciono). Ele me acusou de fazer o jogo das elites do sul do país. Respondi com força. Em outro momento, no mesmo espaço, ataquei um texto que defendia a  não-divisão por achar que os argumentos utilizados eram pífios.
 
Ele, Jesualdo,  me mandou um e-mail e pediu o meu texto para publicar no blog dele que defendia a divisão. Eu autorizei. 
 
Nos dois textos, creio eu, fui coerente. Nem sempre uma boa ideia é defendida com bons argumentos. A qualidade dos argumentos, são, pois, a pedra de toque dos que enveredam pela escrita opinativa.
 
Tento, com as minhas imensas limitações, burilar argumentos e lancá-los em defesa do que acredito. Não ganho nada com isso. Na maioria da vezes, ao revés: ganho antipatia.
 
Vide esse nosso caso. O Ad e o Ed destacaram e guardaram um texto em que me apontam como defensor de um regime brutal. 
 
Tenho uma penca de valores que lastreiam meus textos. Sou um liberal, por isso leio Vargas Llosa, Olavo de Carvalho, Tocqueville, Von Mises, Rayek, Roberto Campos e cia.
 
Leio também os que resistem ao que defendo. Por isso li e leio Eduardo Galeano e suas “veias” abertas, DarcyRibeiro e o seu ” Povo Brasileiro”, algumas coisas de Noam Chonski, crítico feroz do modelo capitalista, Chirstopher Ritchens, o inglês destruidor, enfim. 
 
É a minha grande paixão: leituras e escritas. Faço isso porque, como disse o magistral Ferreira Gullar, a vida cotidiana não basta. Ele, Gullar, diz que a arte existe porque a vida e o cotidiano é insuficiente. Tomo emprestado a frase para dizer a mesma coisa sobre a leitura e a escrita. 
 
Na política, tenho uma predileção pela resistência. Votei, sempre, no PT. Estadual e Federal. Para mim, que tenho vários amigos no partido, seria muito mais fácil segui-los. Defender suas ideias. Seria o caminho menos espinhoso porque pode se valer de alguns números alcançados pela gestão petista para fazer loas ao jeito de governar do partido. Além disso poderia me render alguns favores, como é de costume nesse mundo.
 
Preferi o caminho inverso. Não pela oposição pura e simples. É porque não suporto certos discursos. E, como disse, tenho essa inclinação para oposição. Quando FHC tava no poder, votei em Lula; com a turma do Lula no poder, voto na oposição (no caso, hoje, em Eduardo Campos).
 
Em São Raimundo, foi assim também. Fiz uma baita oposição ao grupo Ferreira. Expus-me em defesa do Pe. Herculano. Herculano ganhou. Em pouco tempo, tornei-me um crítico da gestão dele. Logo que ele ganhou, passamos nove meses sem nos falarmos. 
 
Acho que o cidadão, o indivíduo (ah, como eu prezo a individualidade) deve se opor aos governos, afinal eles têm verbas milionárias para fazer propaganda, para cooptar os diversos setores e os meios de comunicação. Ficar na trincheira, para mim, é o melhor posicionamento e o mais difícil. 
 
É isso, meu amigo. Disse que não iria me alongar, mas o fiz. Coisa de quem se preocupa com a coerência e a honestidade intelectual. Costumo dizer aos que se incomodam com meus posicionamentos – não é o seu caso, é claro – que não passo de um articulista sem prestígio, obscuro, um servidor público do baixíssimo clero, que nada influencia. 
 
Um grande abraço
 
 
 

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