Uma premonição deste blogueiro realiza-se

Vote no Cyperus rotundus

 

 
Erva daninha, graminiforme, da família das ciperáceas (Cyperus rotundus), famosa pela capacidade de invadir velozmente terrenos cultivados. Rizoma tuberculoso, com pequenos bolbos; folhas lineares, flores inconspícuas, pardo-avermelhadas e agregadas em amplas inflorescências. É difícil de erradicar, a não ser com herbicidas químicos”
 
Esse é o significado da palavra Tiririca, segundo o dicionário Aurélio. É nesse personagem que, segundo pesquisas, um milhão de eleitores vai votar.
 
Mas não se enganem (e) leitores. Essas características abundam em outras candidaturas, independente do nome e sobrenome. É quase regra.
 
Ouço de muitos que a candidatura do Tiririca a deputado federal em São Paulo é uma ofensa à democracia. Uma eventual vitória dele, então, nem se fala.
 
Como um palhaço profissional pode ocupar uma cadeira no parlamento federal? Assombram-se os democratas de plantão.
 
Não tenho medo de palhaços profissionais que querem virar políticos. Tenho dos amadores. Não tenho medo de maquiagem barata, de nariz de…palhaço, de gola arreada, de sapatos pontiagudos e de um indisfarçável apelo ao riso. Ah, disso eu não tenho medo.
 
Tenho medo de gravatas italianas, ternos alinhados, falas eloqüentes, sapato de cromo alemão, voz empostada, perfume francês e um indisfarçável apelo ao cinismo. Ah, disso eu tenho medo.
 
Tenho medo de outra coisa, também: do discurso que fala em projetos, defesa da classe oprimida, da humanidade, de reconstruir um novo homem, longe de seus vícios, de salvar os pobres da arrogância das elites etc. e tal. Ah, disso eu me assombro.
 
Além disso, outros medos me assaltam: de quem aspira à unanimidade, de quem vê na imprensa livre o inimigo, de quem vê golpe em tudo, de quem diz, esquizofrenicamente, que está ao lado do povo e que os outros estão contra, torcendo o nariz. 
 
Eu, ainda, insisto, tenho medo de quem não consegue fazer um discurso oposicionista por covardia, que não consegue defender seus feitos, pois tem medo de contrariar um povo e uma elite anestesiados por um líder popular.
 
Já o palhaço Tiririca não me causa medo algum. Mesmo sem saber, o postulante à Câmara Federal, está dizendo a verdade e, o melhor, tem um discurso que enxovalha o sistema político que talvez sirva – acho difícil – para dar uma sacudida nesse ambiente que exala podridão.
 
Ele não quer, só, “ajudar o povo”, mas, também, a sua família. Erenice Guerra ajudou a sua. Tenho certeza que uma eventual candidatura da ex-chefe da Casa Civil não deve ser encarada como um atentado à democracia. Ou uma eventual candidatura de Sérgio Guerra do PSDB também não deve ser um atentado ao regime das liberdades por ele ter empregada a família inteira no seu gabinete.
 
Outra coisa: se o povo é o poder, como dizem os “inteliquituais”, então como diferenciar quando ele acerta e quando ele erra? Quem julga as escolhas do povo? Qual o critério a ser estabelecido para se apontar os erros e os acertos desse ente quase metafísico? Mistérios que muitos, ditos democratas, não conseguem explicar.
 
Eu rio do palhaço e choro quando, no seu lugar, aparece um moralista empedernido, com olhar de soslaio, dizendo que ama a humanidade. Aprendi que quem diz que ama a humanidade, em regra, quer eliminar quem está ao seu lado.
 
O que eu lamento, na verdade, é a possibilidade de aproveitadores surfarem na onda do palhaço e, na garupa, se elegerem. Mas, isso é um problema da legislação eleitoral. Mas isso fica para próxima.

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