Virar à direita

 

 

Virar à direita do espectro político, para mim, foi vital. Já não agüentava mais o discurso farsesco dos esquerdistas que me rodeiam. Eles são maioria, podem acreditar.

Ser de esquerda é legal. Traz aquela empáfia digna de quem ama a humanidade – um abstracionismo canalha que encontra eco nas idéias do sentimentalista Rousseau, pai dos totalitarismos do século XX, aquele que abandonou seus cinco filhos ao léu, mas que denunciou a exploração do homem pela sociedade.

O homem nasce livre, mas se encontra aprisionado por todos os lados. Lindo. O homem é bom. A sociedade é que o corrompe. Bingo!! Eis aí a chave para o futuro. Eis aí o discurso que influenciou a esquerda e a tornou influente, arrogante e mentirosa.

Como não encarnar esse ideal e sair por aí vestido com a camisa do Che Guevara (assassino compulsivo) vencendo barricadas, tomando de assalto a propriedade privada, conquistada pela exploração do homem pelo homem? Como não vociferar palavras de ordem pregando o fim da desigualdade material?

“ Como  homens intrinsecamente bons forjaram instituições intrinsecamente opressoras para oprimir homens naturalmente bons”. Eis a armadilha da qual os adeptos do patriarca da Revolução Francesa não conseguem sair. Eis porque identifiquei nessas formulações a tentativa de opressão redentora, comandada por homens e mulheres mais preocupados em construir seus patrimônios embalados em discursos libertadores.

Preferi outros ares. Preferi investigar o conservadorismo de um Alexis Tockeville, que identificou na gênese da sociedade americana, e suas associações livres de homens e mulheres, o germe da liberdade que ancorou todas as democracias ocidentais e alçou-as, alguma delas, a uma condição de desenvolvimento nunca visto.

Procurei saber quem era Edmund Burke, autor de cabeceira do patriarca conservador do abolicionismo brasileiro, Joaquim Nabuco, descobrindo na obra de Burke uma estrutura lógica apta a destruir em pedacinhos as teses homicidas dos revolucionários de toda a estirpe.

Tornei-me um contratualista burkeano: a sociedade é um contrato entre gerações. Entre “os vivos, os mortos e os que vão nascer”. Como se “livrar” de uma sentença tão clara, tão lúcida. Como não enxergar aí a essência da civilização. Como não perceber que não devemos prescindir do estoque de conhecimentos e afetos construído durante o passar dos anos.

Enquanto os revolucionários querem começar do zero, enterrar as conquistas para que o novo homem viceje, o conservadorismo prefere contar com a sabedoria dos antigos, com o esforço empreendido pelos que vivenciaram os dramas humanos, retirando deles as lições mais escorreitas e estruturantes.

A idéia de perfectibilidade – o ideal da perfeição humana tão caro aos esquerdistas – serviu de esteio para que idéias liberticidas torturassem o homem para extrair dele a sua essência naturalmente boa. Eles precisaram de alguns milhões para testar suas teses. O cheiro dos cadáveres ainda está entranhado nelas.

Os conservadores não pretendem perseguir esse ideal, pois sabem, de antemão, que a natureza humana é frágil, corrompida, incapaz de servir de experiência para teóricos de gabinete. A desigualdade é um traço humano imanente. E que só instituições impessoais são capazes de criar um sistema artificial de direitos, deveres e reparações, permitindo que homens e mulheres convivam num ambiente civilizado, próspero, embora desigual.

Virei à direita por não agüentar mais a mentira dos que se intitulam bem-pensantes, dos monopolistas da virtude. Dos mentirosos contumazes. Virei à direita para respirar, para desintoxicar-me das “fuligens” sorvidas por anos num ambiente ideologicamente poluído.

Zeferino Júnior – z_junior@bol.com.br – Servidor Público.

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